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Jogos Cooperativos Definições e características(texto)

DEFINIÇÕES E CARACTERÍSTICAS
1. Definição
Segundo Brotto, (1999), existem várias definições para cooperação e competição. A Exemplo temos as descritas abaixo:
Cooperação: é um processo de interação social, cujos objetivos são comuns, as ações são compartilhadas e os benefícios são distribuídos para todos.
Competição: é um processo de interação social, cujos objetivos são mutuamente exclusivos, as ações são isoladas ou em oposição umas às outras, e os benefícios são concentrados somente para alguns.
Margaret Mead, antropóloga define cooperação e competição da seguinte forma:
Competição: ato de procurar ganhar o que outra pessoa está se esforçando para obter, ao mesmo tempo.
Comportamento Individualista: um ato em que o indivíduo se empenha para alcançar seu objetivo, sem se preocupar com os outros.
Cooperação: ato de trabalhar em conjunto com um único objetivo, se, e somente se, as outras com as quais ela estiver ligada conseguirem atingir seus objetivos.
Rivalidade: seu objetivo mais importante é conquistar outros ou garantir que não alcancem seu objetivo.
          Para iniciar a conversa sobre origem dos Jogos Cooperativos, temos que voltar a milhares de anos atrás, quando membros de comunidades tribais se reuniam ao redor da fogueira para celebrar a vida. De lá para cá; muitas outras iniciativas foram feitas em direção à construção de propostas que nos levassem à convivência harmoniosa.
          Nos anos 50 acontece o que chamamos de embrião dos Jogos Cooperativos, quando Ted Lentz, publica aquele que foi o precursor dos livros sobre Jogos Cooperativos, intitulado Para Todos: Manual de novos Jogos Cooperativos , tendo como co-autora Ruth Cornelius, também uma educadora que sonhava com um mundo melhor.
          Terry Orlick, canadense, doutor em psicologia,  docente e pesquisador da Universidade de Otawa, é a mais importante referência quando o assunto é jogos cooperativos. Muito do que se sabe hoje sobre Jogos Cooperativos deve-se a seu trabalho inovador. O seu trabalho é baseado na sociologia aplicada à Educação. Publicou em 1978, o livro intitulado “Winning through cooperation”,  que aqui no Brasil teve o título “Vencendo a competição”. Este serve de inspiração para muitas pesquisas sobre o tema. Orlick é a pessoa que introduziu os jogos cooperativos na Educação, com seu trabalho na Educação Infantil do Canadá.  
          Orlick possui um histórico competitivo, pois quando jovem dedicou-se intensamente às atividades esportivas, vencendo várias competições regionais e nacionais de ginástica no Canadá, hoje se dedica a disseminar a proposta da cooperação pelo mundo, talvez por ter vivenciado na própria pele, os efeitos da competição desmedida.
          No Brasil, Brotto introduziu os jogos cooperativos e criou junto com Gisela Sartori Franco, sua esposa em 1992, o Projeto cooperação – comunidade de serviços, dedicada à difusão dos jogos cooperativos e da ética da cooperação, por meio de oficinas, palestras, eventos, publicações e produção de materiais didáticos, tendo publicado em 1995, um livro que é o pioneiro na história dos jogos cooperativos no Brasil, “jogos cooperativos: se o importante é competir, o fundamental é cooperar”.
          A intenção desse trabalho é fazer uma homenagem a todos que ajudaram a construir o ideal dos Jogos Cooperativos, por isso quem não foi citado aqui saiba que nunca será esquecido, pois contribuiu e contribui ainda muito para que o sonho se torne realidade.
          “A cooperação, disse Hartmann, é a força unificadora mais positiva que agrupa uma variedade de indivíduos com interesses separados numa unidade coletiva”. (Orlick, 1989).
          Passamos agora a falar das várias formas de se jogar, fazendo comparações para entender e clarear a nossa compreensão e não para falar que uma forma é boa e a outra ruim, pois só conhecendo as várias maneiras de se ver uma situação é que podemos decidir entre uma ou outra.
Terry Orlick (1989) dividiu os jogos cooperativos em diferentes categorias, pois sempre é necessário adequar os jogos aos grupos que se propõem a jogar:
a)    Jogos cooperativos sem perdedores: todos os participantes formam um único grande time. São jogos plenamente cooperativos.
b)    Jogos de resultado coletivo: permitem a existência de duas ou mais equipes. Havendo um forte traço de cooperação dentro de cada equipe e entre as equipes, também.  O principal objetivo é realizar metas comuns.
c)    Jogos de inversão: enfatizam a noção de interdependência, por meio da aproximação e troca de jogadores que começam em times diferentes. Os jogos de inversão se dividem em quatro tipos:
Rodízio: os jogadores mudam de lado de acordo com situações pré-estabelecidas, como por exemplo: depois de sacar (voleibol); após a cobrança de escanteio (futebol, handebol); assim que arremessar um lance livre (basquete).
     Inversão do goleador: o jogador que marca o ponto passa para o outro time.
     Inversão do placar: o ponto conseguido é marcado para o outro time.
     Inversão total: tanto o jogador que fez o ponto, como o ponto conseguido passa para o outro time.
d)    Jogos semi-cooperativos: indicados para um início de trabalho com jogos cooperativos, especialmente com adolescentes num contexto de aprendizagem esportiva.
Oferece a oportunidade dos participantes jogarem em diferentes posições:
          Todos jogam: todos que querem jogar recebem o mesmo tempo de jogo.
          Todos tocam/todos passam: a bola deve ser passada por entre todos os jogadores do time para que o ponto seja validado.
          Todos marcam ponto: para que um time vença é preciso que todos os jogadores tenham feito pelo menos 01 ponto durante o jogo. (Pode-se utilizar também outros critérios, tais como, bola na trave, no aro ou tabela, um saque correto, etc).
          Todas as posições: todos passam pelas diferentes posições no jogo (goleiro, técnico, torcedor, dirigente, etc).
          Passe misto: a bola deve ser passada, alternadamente, entre meninos e meninas.
          Resultado misto: os pontos são convertidos, ora por uma menina, ora por um menino.
Podemos por meio dessas categorias, adequar o tipo de jogo que usaremos, pois é muito importante fazer com que as pessoas que jogam se sintam seguras e felizes, daí a importância de se iniciar gradativamente o trabalho, pois cada grupo tem suas próprias características, condições e ritmos, que devem sempre ser levados em consideração. Passar de uma forma para a outra pode demandar um certo tempo, é fundamental não desistir, o ideal é insistir sempre com aquilo que acreditamos.
          A área que melhor estuda os efeitos que os Jogos Cooperativos causam é a Psicologia Social, pois é justamente esta área que estuda a interação social.
          Aroldo Rodrigues, psicólogo brasileiro, define dizendo que a Psicologia Social é o estudo das "manifestações comportamentais suscitadas pela interação de uma pessoa com outras pessoas, ou pela mera expectativa de tal interação".
Segundo o autor, suas principais características, são:
     A percepção social;
     A comunicação; as atitudes;
     A mudança de atitudes;
     O processo de socialização;
     Os grupos sociais;  
     Os papéis sociais.

2. Características dos Jogos Cooperativos
“São jogos que facilitam a aproximação e a aceitação e onde a ajuda entre os membros da equipe torna-se essencial para se alcançar o objetivo final”.
Podemos perceber duas maneiras possíveis de ver-e-viver o jogo, tanto na escola como em todos os momentos na vida.
Competir, omitir-se e Cooperar são possibilidades de agir e ser no mundo. Cabe escolhermos, e acabarmos com o mito que é a competição que nos faz evoluir.
Segundo Barreto (2000):
“Jogos cooperativos são dinâmicas de grupo que têm por objetivo, em primeiro lugar, despertar a consciência de cooperação, isto é, mostrar que a cooperação é uma alternativa possível e saudável no campo das relações sociais; em segundo lugar, promover efetivamente a cooperação entre as pessoas, na exata medida em que os jogos são, eles próprios, experiências cooperativas.”

3. Jogos Cooperativos: Afinal o que é isto?
No jogo cooperativo, aprende-se a considerar o outro que joga como um parceiro, um solidário, e não mais como o temível adversário. A pessoa quando joga aprende a se colocar no lugar do outro, priorizando sempre os interesses coletivos.
São jogos para unir pessoas, e reforçar a confiança em si mesmo e nos outros que jogam. As pessoas podem participar autenticamente, pois ganhar ou perder são apenas referências para um continuo aperfeiçoamento pessoal e coletivo.
Os jogos cooperativos resultam numa vontade de continuar jogando, e aceitar todos como são verdadeiramente, pois as pessoas estão mais livres para se divertir.
Jogar cooperativamente é re-aprender a conviver consigo mesmo e com as outras pessoas.
O jogo cooperativo serve para nos libertar da competição, seu objetivo maior é a participação de todos por uma meta comum. A agressão física é totalmente eliminada, cada participante estabelece seu próprio ritmo, todos se enxergam como importantes e necessários dentro do grupo. Aumentando a confiança e auto – estima
Tentamos superar desafios ou obstáculos, sempre com alegria e motivação.
Os padrões de comportamentos fluem dos valores que adquirimos enquanto brincamos e jogamos durante a nossa infância, então o modelo a que estamos expostos resultará no modelo que seguiremos no jogo e fora dele.
Se hoje em dia ainda não enxergamos muitos atos de cooperação significa que as crianças não estão sendo criadas num ambiente que lhes proporcione aprender por meio de experiências que as sensibilizem para a cooperação.
Orlick (1989) define de forma magistral o que é cooperar:
“A cooperação exige confiança porque, quando alguém escolhe cooperar, conscientemente coloca seu destino parcialmente nas mãos de outros.”
Os Jogos Cooperativos são essencialmente divertidos, pois o riso prende a atenção de todos, e assim acontece o envolvimento de corpo e alma.
São atividades que tentam por meio dos jogos, diminuir as manifestações de agressividade, promovendo boas atitudes, tais como: sensibilização, amizade, cooperação e solidariedade, facilitando o encontro com os outros que jogam, predominando sempre os  objetivos coletivos sobre os objetivos individuais.
A palavra chave para que possamos cooperar é confiar, ou seja, fiar juntos, já que a confiança é a matéria prima da cooperação.
Durante os Jogos Cooperativos você pode perceber com maior clareza, a beleza do jogo e explorar sem medo nem receio de ser excluído; desenvolver junto com todos suas habilidades pessoais e interpessoais. É através dos jogos também que enxergamos a nossa capacidade de conviver, e assim incentivamos a participação, a criatividade e a expressão pessoal de cada participante. Nesses jogos, competimos com os nossos próprios limites e habilidades e não mais contra os outros.

4. Os jogos cooperativos têm várias características libertadoras que são muito coerentes com o trabalho em grupo
     Libertam da competição: o objetivo é que todos participem para poder alcançar uma meta comum.
     Libertam da eliminação: o esboço do jogo cooperativo busca a integração de todos.
     Libertam para criar: criar é construir e, para construir, a colaboração de todos é fundamental. As regras são flexíveis, e os participantes podem contribuir para mudar o jogo.
     Libertam da agressão física: certamente gastamos energia na atividade física, mas se promovemos a agressão física contra o outro, estamos aceitando um comportamento destrutivo e desumanizante, o jogo cooperativo propõe o contrário.
5. A quem deve atender os jogos descritos aqui?

     A qualquer um que queira jogar.
     Professores.
     Treinadores.
     Recreacionistas.
     Profissionais da saúde.
     Líderes religiosos.
     Líderes comunitários.
     Diretores de acampamentos.
Enfim, a todos que se disponham a jogar e serem felizes e compartilharem essa felicidade com todos.

6. Os jogos cooperativos favorecem algumas atitudes essenciais para o exercício da convivência
     Evitam situações de exclusão.
     Diminuem as chances de experiências negativas.
     Favorecem o desenvolvimento das habilidades motoras e capacidades físicas (Universo psicomotor) de forma prazerosa.
     Estimula um clima de alegria e descontração.
     Promove o respeito e a valorização pelo diferente.
     Ensina para além das regras e estruturas do jogo.

7. Existem alguns fatores que possibilitam a existência do jogo cooperativo. São eles:
     Enxergar o outro como um amigo em potencial;
     Alegria;
     Criatividade;
     Solidariedade;
     Confiança entre os participantes;
     Ser motivante;
     Possível para todos;
     Ninguém é excluído;
     Simplicidade.

8. Existe uma faixa etária pré-definida para participar dos jogos?
Uma das características dos Jogos Cooperativos, diferente do que muitos imaginam é justamente não ter uma faixa etária específica em cada jogo, mas, a possibilidade de que os jogos podem e devem ser adaptados ao grupo que joga. Então podemos dizer que o Jogo Cooperativo é para a criança muito pequena e também para adultos de todas as idades.
Aqui deixo claro que a idéia é criar um programa de Jogos Cooperativos, atendendo a todas as idades, da criança até o adulto de qualquer idade.
O facilitador/focalizador deverá na hora do planejamento das atividades observar a idade dos participantes, e, assim, adequar qualquer jogo ao grupo.
Uma coisa é certa, quanto mais jovem é o grupo menos competitivo ele é. A criança pequena é muito receptiva aos desafios cooperativos. Até os 04 ou 05 anos, elas não se interessam pelo resultado final, tudo que querem é a diversão que o jogo pode proporcionar.

9. A melhor premiação é a alegria
Existe coisa que reforça mais a competição entre as pessoas do que premiar apenas uma? Dar uma estrelinha ao aluno que mais se destacou? Colocar o nome de apenas um funcionário no quadro de funcionário padrão? Entregar um troféu ao primeiro colocado?
A melhor forma de premiar, quando o assunto é cooperação é mostrar como a alegria, o trabalho mútuo e a descontração transborda o ambiente, e que todos fazem parte disso.
Na grande maioria das vezes, o grupo está tão envolvido com os objetivos interdependentes que nem percebem que, ao final, o grande prêmio é na realidade conseguir jogar “com” o outro e “vencer juntos”.
Se prêmios são utilizados, devem ser dados a todos que jogam, aqui devemos esquecer o nosso condicionamento competitivo que insisti em premiar apenas alguns em detrimento de muitos.
A escola se utiliza muito da premiação para, na visão dela estimular a criança a aprender, e esquece que essa forma é excludente, e que sempre vai existir dentro deste modelo poucos vencedores e uma grande maioria de vencidos. Quando falamos em Escola para todos, falamos também em vencedores, pois todos que se esforçam para alcançar objetivos devem ser valorizados.
Quem sempre perde tem estímulo para continuar tentando?
É fundamental investir em uma auto-estima saudável, pois só assim estaremos favorecendo um melhor aprendizado.
Segundo Brotto (2001) nestes jogos, chamados cooperativos, é importante deixar claro para todos os participantes que:
     Não há seleção dos melhores porque cada um é vital para o jogo do momento.
     Não há primeiro nem último lugar porque o lugar que ocupamos é nosso lugar comum.   
     Não há vencedores nem perdedores porque jogamos para 'VenSer', para vir a Ser quem somos plena e essencialmente.   
     Não há adversários porque somos todos parceiros de uma mesma jornada.   
     Não há troféus, medalhas ou outras recompensas porque já ganhamos tudo o que precisávamos ter... Para saber que a verdadeira conquista é poder continuar jogando uns com os outros, ao invés de uns contra os outros.

10. Sugestões de atividades cooperativas:
Há uma infinidade de atividades que podem e devem ser realizadas, a partir do tema: Jogos Cooperativos. Podemos citar algumas:
     Fazer um levantamento, a partir da opinião das pessoas, dos jogos e brincadeiras e esportes de que mais gostam.
     Propor a construção de um mural cooperativo, com fotos e desenhos realizados por eles (arte-cooperativa).
     Confeccionar se possível um jornal, com todas as boas notícias, palavras cruzadas, desenhos, poesias etc.
     Localizar no globo terrestre, países onde a forma de se viver seja mais cooperativa.
     Confeccionar, junto com todos o material a ser utilizado, explicando a eles a importância do trabalho em grupo.
     Criar junto com eles, um símbolo para cada grupo, hino, grito de paz etc.
     Assistir vídeos que passem mensagens positivas, e, ao final, refletir sobre essas mensagens.
     Proporcionar a eles acesso a livros que estimulem a formação de valores positivos.
     Apresentar os jogos cooperativos, e, a partir daí, estimular a criação e transformação de outros jogos (competitivos), tornando-os mais cooperativos.
     Utilizar a música e a dança, como forma de integrar e aproximar pessoas.
     Mostrar outras maneiras de se praticar o Esporte, tirando o caráter competitivo e mostrando que existem alternativas para se jogar.
     A atividade final poderá ser um grande festival de Jogos Cooperativos, envolvendo todas as pessoas.
Isso é um trabalho para muito tempo e muitas pessoas envolvidas também, e todos ao final serão vencedores. As pessoas participantes irão se divertir muito, elaborando, formando conceitos, tudo de uma forma lúdica e interdisciplinar, e no futuro com certeza teremos pessoas mais felizes, respeitando e valorizando as outras pessoas. E, assim, uma nova geração nascerá, mais cooperativa, ética e solidária.
11. Algumas idéias para diminuir a competição
     Evitar jogos que busquem a eliminação;
     Valorize mais o processo e menos o resultado final;
     Fuja de jogos individuais, valorize os jogos em grupo;
      Divida os times de forma criativa e não por ter mais ou menos habilidades;
     Proponha jogos competitivos e cooperativos para que o grupo possa perceber em qual deles se sente melhor;
     Permita que a liderança circule pelo grupo, todos devem em algum momento liderar;
     Abra espaço para que a intercomunicação de idéias aconteça;
     Pare o jogo sempre que for necessário para discutir com o grupo que joga.
Fazendo isso teremos uma grande chance de diminuir e humanizar a competição, estabelecendo laços fraternos entre os participantes, e dando, verdadeiramente, uma opção a ser escolhida.

12. Criando novos jogos
    Se o jogo que conhecemos não nos leva à construção de um mundo melhor, então a alternativa é criar um jogo totalmente novo. Segundo Brown (1994), na criação devemos levar alguns fatores em conta:
I.    Estabelecer o uso possível do jogo: para relaxar, um jogo quebra gelo, etc.
II.    Estabelecer o destinatário do jogo: crianças, jovens, adultos, grupos maiores ou grupos com necessidades especiais.
  III. Determinar se o jogo é para grupos pequenos, grandes e o local em que se pode jogá-lo      (dentro de um salão, na rua, numa quadra etc).
    Quando se está satisfeito com a idéia,  pode-se anotar os passos do jogo e experimentar para sentir se dão os resultados esperados.
Re-criar é muito importante e o facilitador deve estar sempre atento para remodelar, ressignificar, reconstruir, enfim transformar o jogo na perspectiva de melhorá-lo para todos.
    Quais são as perguntas que podem ser feitas para ver se o novo jogo corresponde ao nosso objetivo:
     O jogo reflete bom humor? Permite que os participantes riam todos juntos? Reflete a idéia de que, às vezes, faz sentido fazer coisas que não têm sentido?
     O jogo estimula a cooperação? Os participantes podem jogar com os outros e não contra os outros? Pode-se ter prazer no jogo e não no resultado?
     O jogo é positivo? Anima os participantes a apoiarem-se? Há ausência de comentários críticos? Os participantes se sentem bem durante e depois do jogo?
     O jogo é participativo? Entusiasma todos a jogarem em vez de observarem? Os participantes se sentem mais unidos depois do jogo?
     O jogo permite que os participantes sejam criativos e espontâneos? Permite a recreação, a possibilidade de mudá-lo?
     Há igualdade de participantes no jogo? É um jogo em que o facilitador é também mais um jogador?
     Cada participante pode estabelecer seu próprio ritmo? O jogo evita projeções pessoais e facilita a participação coletiva?
     O jogo oferece um desafio? Tem espírito de aventura?
     O jogo leva em conta os participantes? Coloca ênfase no desenvolvimento ou no resultado?
     O jogo é divertido?
Eu acrescentaria mais uma pergunta:
“Os jogos têm a ver com uma nova visão de mundo?”
A parte mais fantástica é a criação, pois é onde o professor mostra toda a sua criatividade, e deve sempre também se preocupar com o atitudinal presente no jogo criado. Ele deve ter claro quais são seus objetivos quando utiliza um determinado jogo.        Quais serão os valores, normas e atitudes transformados com o novo jogo.
Na criação existem alguns passos que são muito importantes e que devem ser seguidos.
4. Qual é a proposta?
     Criar um jogo inédito.
     Colocar o jogo em prática.
     Avaliar os resultados.
    Se o novo jogo atende a todas as perguntas, então já podemos dizer sem medo de errar que estamos diante de um jogo que estimula a cooperação, que tem o poder transformador de ajudar a nos tornarmos o tipo de pessoas que realmente gostaríamos de ser.
    Lembrando que falamos aqui do jogo educacional, ou seja, aquele que está dentro da escola, e alguns cuidados são importantes. Sempre devemos lembrar um princípio fundamental que é o da participação, que também pode ser chamado de princípio da cooperação. Todos devem estar dentro do jogo do início ao fim.
Para completarmos o processo de criação precisamos responder a mais  algumas perguntas
     O quê? Criaremos um jogo, uma dança ou outra atividade?
     Para quem? Quem jogará esse jogo? Crianças? Jovens? Adultos? Idosos?
     Para quê? Qual o intuito do jogo? Passatempo? Ensinar alguma coisa? Relaxar?
     Onde? Qual o local do jogo? Praia? Campo? Quadra de esportes?
     Quando? No horário da aula? Após a aula? De dia? De noite?
     Com quais recursos? Qual o material disponível? Do que precisarei?
     Regras? Quais serão as regras básicas do jogo? Preciso de regras? Quem decidirá as regras: Professor ou alunos?
    Como vimos, o processo é simples, mas envolve estudo e dedicação, tornando-se  viável para qualquer pessoa que se interessar em criar novos jogos. A criatividade deve ser exercitada, pois quanto mais re-criarmos mais estaremos desenvolvendo o nosso poder criativo.
    Freire (1989) observa que por meio da transformação dos jogos as pessoas podem desenvolver sua criatividade, sua cognição e, principalmente, aprender a resolver problemas.
Criando novos grupos
    Um dos momentos mais esperados quando se vai jogar é a formação dos times ou grupos, e é justamente aí que podemos mudar nossa forma de separar/formar grupos.     Devemos criar alternativas criativas e divertidas, e para isso, podemos levar em consideração o que diz Brotto (1999):
    “Formar, desfazer e transformar grupos e times é um exercício que pode nos preparar para circular com maior leveza, flexibilidade e prazer por entre os vários contextos que vivemos no dia-a-dia”.
    O que acontece na maioria das vezes é que as pessoas preferem ficar ao lado de quem já conhece, e tem mais intimidade, o nosso papel é fazer com que elas dêem a oportunidade a si mesmas de conhecer novas pessoas e formar novas e interessantes parcerias. Não significa que tenha algo de ruim estar com quem se gosta, é só uma chance de novas participações com a inclusão de novos amigos.
    Existem alguns critérios que podem ser utilizados quando queremos “mexer” com o grupo, misturando de modo saudável as diferenças:
>    Dia do nascimento: grupo 1ª quinzena; grupo 2ª quinzena.
>    Cores das roupas: clara e escura.
>    Tipo de calçado: tênis, sapato, sandália, tamanco, etc.
>    Cor dos cabelos: claros e escuros.
>    Mês do nascimento: 1º trimestre; 2º trimestre; 3º trimestre; e 4º trimestre. Dividimos o grupo em dois também utilizando a seguinte divisão: os nascidos no 1º semestre em um time; e os nascidos no 2º semestre em outro.
    Os grupos devem sempre começar com um numero máximo de cinco pessoas e mínimo de três pessoas, a divisão deve sempre ser feita de forma criativa para evitar “panelinhas”.
Mais idéias para formação dos grupos:
1.    Papéis coloridos, cada grupo terá uma cor;
2.    Números de um a cinco, os participantes se agrupam de acordo com os números, todos os de número um se juntam; todos de dois, e assim por diante;
3.    Papéis com valores humanos, cada grupo representará um valor humano;
4.    Mês do nascimento, quem nasceu em janeiro em um grupo, fevereiro em outro e assim por diante;
5.    Dedos da mão, grupo dos polegares, dos anelares, dos dedos médios e assim sucessivamente;
6.    Crie você uma forma criativa e divertida de formar grupos.
          As formas são variadas e dependerá da criatividade do facilitador, e também do grupo que joga, pois as idéias de divisão devem partir também de quem joga.
          A proposta dos jogos cooperativos deve estar acompanhada de atitudes que favoreçam o respeito, a valorização e a integração de todos.
Enquanto educadores conscientes devemos sempre eliminar as diferenças, sem, contudo deixar de reconhecer que cada ser é um indivíduo com possibilidades e limitações, devemos oferecer oportunidades iguais a todos sem discriminação, para que ele possa se sentir como peça fundamental dentro do grupo
É isso ae pessoal depois de ler esse texto você já pode estudar no resumo clicando aqui
Até a próxima abraço a todos!
Raynner Barbalho

Raynner Barbalho

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