– ÉTICA
A palavra Ética é de origem grega, derivada da etimologia de “ethos”, que diz respeito aos costumes e aos hábitos dos homens.
Na Grécia o homem aparece no centro da política, da ciência, da arte e da moral, já que, de acordo com a cultura, até os deuses apresentavam características humanas, possuindo assim defeitos e qualidades. Em Roma Ética, deriva do latim “mores”; que significa “moral”, e de acordo com o direito romano, refere-se às normas de conduta e aos princípios que regem uma sociedade ou um determinado grupo.
Os estudos sobre o assunto lidam com a compreensão das noções e dos princípios que norteiam as bases da moralidade social e da vida individual, além de tratar de uma reflexão sobre o valor das ações sociais, consideradas tanto no âmbito coletivo, quanto no âmbito individual.
Diversos são os autores que conceituam a Ética. Sendo descrita como, por exemplo, “um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade” ou então como uma parte da filosofia (e também pertinente às ciências sociais) que lida com a compreensão das noções e dos princípios que sustentam as bases da moralidade social e da vida individual.
Para SROUR “a ética é um saber científico que se enquadra no campo das Ciências Sociais. É uma disciplina teórica, um sistema conceitual, um corpo de conhecimentos que se torna inteligível aos fatos morais. Mas o que são fatos morais? São os fatos sociais que dizem respeito ao bem e ao mal, juízos sobre as condutas dos agentes, convenções históricas sobre o que é certo e errado, justo e injusto, o que é certo ou errado? Toda coletividade formula e adota os padrões morais que mais lhe convém”. (SROUR, 2003, p. 7-8).
Os estudiosos da época faziam crítica da realidade social e, a partir dela, ofereciam ideias e direcionamentos (valores) orientadores para a conduta das pessoas, o que tinha como objetivo evitar os infortúnios que levariam ao desaparecimento do ethos comum. Assim, a sociedade de posse destas ideias, passou a orientar e educar as novas gerações de acordo com estes valores e muitas vezes, por ser um novo dever, o Estado transformava tais normas em leis, até que tais condutas fossem incorporadas à consciência individual.
E assim, lentamente, foram estruturados os valores que hoje consideramos essenciais. A separação entre o bem comum e o bem individual (o público e o privado), que começa a ocorrer durante o período da decadência grega, justifica a necessidade de uma teoria que explicasse a dualidade entre moral e ética. A atual visão de Ética deve muito a Platão. A Ética de Platão relaciona-se intimamente com sua filosofia política, pois, segundo ele, a “polis” (cidade-estado) é o terreno próprio para a vida moral, assim, buscou em seus estudos, 6 um Estado ideal, um estado modelo e utópico, tendo o corpo do ser humano como parâmetro.
O agir ético perpassa a simples reprodução de ações das gerações anteriores e se dá através de uma atividade reflexiva, que orienta a ação a ser seguida, num determinado momento da vida pessoal. É com o surgimento de questionamentos sobre a validade de determinados valores ou costumes, ou mesmo quando a realidade exigia novos valores que pudessem orientar a ética, que surge a necessidade de uma teoria que justificasse este novo agir, já que é impossível uma ação ética sem que o agente dela compreenda sua racionalidade
Pode-se considerar que o agir ético é impossível sem uma reflexão entre o que deve-se fazer e o que se gosta de fazer em um determinado momento. Isso tendo em vista que a ação ética deve ocupar-se da busca do bem comum e consiste na recusa de todas as ações que possa propiciar o mal. Vale ressaltar que o agir ético é mais que um conjunto de preceitos relacionados à cultura, às crenças, às ideologias e às tradições de uma determinada sociedade, comunidade ou mesmo grupo de pessoas. Embora a Ética ou Filosofia Ética seja um assunto basicamente filosófico possui, contudo, o campo de reflexão e atuação estendidos a todas as áreas do conhecimento/saber, como a teologia, a filosofia, a psicologia, o direito, a economia e tantos outras.
Para que haja mais entendimento sobre a Ética ou Filosofia da Ética, a apresentação da sua evolução histórica faz-se necessária e, sendo assim, serão vistas a seguir
A Idade Antiga
A Idade Antiga é representada pelos filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles e é nessa época que a ética adquire extremo valor. Esses filósofos se preocupavam com o ser no mundo físico, voltados aos problemas sociais e morais. Embora não haja propriamente coesão no pensamento e doutrina dos três, ainda assim suas ideias tornam-se próximas no sentido da reflexão acerca do homem e da cidade. O estudo da Ética, pode-se dizer, que teve início com os filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles. O livro “Ética a Nicômaco”, de Aristóteles, é uma obra de referência, em que a ética é considerada a felicidade (eudaimonia) e sua finalidade suprema.
Eudaimonia
Condição do que é prospero em que há ou representa fartura e abundância, prosperidade, estado ou condição.
Nessa época a questão da ética era o bem supremo da vida humana e, de acordo com Passos (2004, p. 32), “não devia consistir em ter a sorte ou ser rico, por exemplo, e sim em proceder e ter uma alma boa”. 8 Para Sócrates a questão ética era o que bastava ao homem saber, ou seja, ter bondade para ser bom. O conhecimento era uma virtude, porque pensava que com ele o homem conseguia ser bom e ter a felicidade.
E assim, por esse motivo, observa-se que há um entrelaçamento entre bondade, conhecimento e felicidade. Já para Platão a definição de cidade (polis) perfeita estava baseada em valores éticos e morais. Colocava que os conceitos da mente humana não eram reais, mas sim, imagens reflexas. Diferentemente de Sócrates, Platão considerava que a moral era a arte de preparar o indivíduo para a felicidade e não era encontrada na vida terrena.
Em Aristóteles, a felicidade, finalidade suprema da ética, só poderia ser alcançada se o homem fosse capaz de moderar suas paixões. Preocupou-se com a forma como as pessoas viviam em sociedade e contribuiu muito para o entendimento da ética e a busca da felicidade individual e coletiva. As ideias defendidas por Sócrates foram consideradas um marco da filosofia, tanto que os filósofos que o antecederam ficaram conhecidos como “pré-socráticos”.
É necessário registrar aqui que os pré-socráticos também eram conhecidos como naturalistas, o mesmo como filósofos da natureza, devido à preocupação em entender as coisas, dar explicação para a natureza e para o mundo.
Aristóteles
Nasceu na Macedônia, na cidade de Estagira, no ano de 384 a.C. Seu pai chamava-se Nicômaco e exercia a profissão de médico do rei da Macedônia. No ano de 367 a.C., quando tinha aproximadamente 17 anos, foi enviado à cidade de Atenas para completar sua educação, devido a intensa vida cultural daquela cidade, o que lhe possibilitou mais conhecimento.
Ingressou na Academia de Platão e estudou ali até o ano da morte do seu mestre, quando consolidou sua vocação para filósofo. Em 343 a.C., Aristóteles foi chamado para ser mestre do jovem Alexandre, o rei da Macedônia, quando este ainda tinha 13 anos.
Posteriormente o filósofo voltou a Atenas, em 335 a.C., e fundou sua própria escola, o Liceu, cujos alunos eram chamados de peripatéticos. Morreu em 322 a.C. Aristóteles em suas reflexões sobre como o homem poderia viver uma boa vida, afirmava que a felicidade era a finalidade de todo homem e a plena realização humana era a contemplação do exercício da razão humana. Ensinava que há três formas de alcançar a felicidade: pela virtude, pela sabedoria e pelo prazer.
Escreveu aproximadamente uma centena de obras, mas muitas de suas obras se perderam, devido terem sido proibidos pela Igreja Católica, no final da Idade Média. O pensamento moral de Aristóteles está exposto em obras como Ética a Nicômaco, Ética a Eudemo e A Grande Ética. Suas obras foram as mais discutidas e comentadas da Antiguidade, deixando uma importante herança para a história da cultura e da filosofia
Aristóteles
Razão + Equilibrio entre o excesso e a escassez = bem supremo
Sócrates
Sócrates, Platão e Aristóteles são os pensadores gregos mais estudados e citados no campo da Ética. De um modo geral, afirmavam que a conduta do ser humano deveria ser pautada no equilíbrio, a fim de evitar a falta de ética. Pregavam a virtude, a estreiteza moral e outras atitudes voltadas para a ética. Sócrates nasceu em Atenas, provavelmente no ano de 470 a.C., e tornou-se um dos principais pensadores da Grécia Antiga.
Aprendeu música e literatura, mas se dedicou à meditação e ao ensino filosófico. Desde jovem, ficou conhecido pela sua coragem e pelo seu intelecto. Serviu no exército, desempenhou alguns cargos políticos e foi sempre modelo irrepreensível de bom cidadão.
Desde a juventude, Sócrates tinha o hábito de debater e dialogar com as pessoas de sua região. Não fundou uma “escola de pensamento”, pois preferiu realizar seu trabalho em locais públicos, principalmente nas praças e ginásios.
Costumava agir de forma descontraída e descompromissada, dialogando com todas as pessoas, o que fascinava jovens, mulheres e políticos da sua época. Para Sócrates, virtude é sabedoria (sofia) e conhecimento; já o vício é o resultado da ignorância. O saber fundamental é o “saber respeito do homem” e sobre essa ideia, o pensador teria dito muitas frases conhecidas como: “Conhece-te a ti mesmo” e “Sei que nada sei”.
Sócrates, devido sua liberdade de expressão e as fortes críticas que fazia à política da Grécia, foi acusado de corromper os jovens da época e foi condenado a beber cicuta, morrendo em 399 a.C.
Platão
Platão nasceu em Atenas, em 427 a.C. e morreu em 347 da mesma Era e pertenceu a uma família rica da alta aristocracia grega.
A descoberta da metafísica lhe foi atribuída, cujas reflexões filosóficas culminam para o mundo das ideias. Segundo a Teoria das Ideias de Platão, existiam dois mundos; o primeiro composto por ideias imutáveis, eternas, invisíveis e diferentes das coisas concretas; o segundo, o mundo real, constituído por réplicas das ideias (coisas sensíveis), cópias imperfeitas e mutáveis.
Ao contrário do que se pode pensar, o mundo das ideias de Platão era o lugar das coisas verdadeiras, enquanto o mundo real era o lugar em que reinavam as aparências e as sombras. Segundo esta premissa, o homem não podia deixar-se levar pelos sentidos, porque sempre lhe passam uma percepção distorcida das coisas que o rodeiam.
A verdadeira realidade só podia ser atingida e, verdadeiramente compreendida, por intermédio da razão. Vale destacar que Platão também afirmava que o bem é um molde sobre o qual deveria se processar toda a ação humana. Entendia que o elemento da vontade do homem deveria estar sempre voltado para o bem. Platão também direcionou seus estudos para a área da política e da reforma social, em decorrência do seu envolvimento com a difícil situação de Atenas, após a Guerra do Peloponeso.
Para ele, a “pólis” é o próprio terreno da vida moral e que a ética, e que, necessariamente, desemboca na política. Reconhecia como “classes superiores” os governantes e os guerreiros, devido suas atividades de contemplação, de guerra e de política. Já as “classes inferiores” 13 eram as dos artesãos, devido ao desprezo do pensador pelo trabalho físico – e dos escravos – considerados pela sua sociedade como desprovidos de virtudes morais e de direitos cívicos. A Ética de Platão dava-se de acordo com as ideias dominantes, ou seja, a partir da realidade social e política daquela época.
Referências
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em:
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