MORAL
A palavra “moral” originou-se do termo latino “morales” que significa “relativo aos costumes”. A moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma de garantir o seu bem viver.
Independe das fronteiras geográficas e garante uma identidade entre pessoas que, sequer, se conhecem, contudo, utilizam este mesmo referencial moral comum.
O estudo da Moral, das regras e dos costumes é, pois relevante, principalmente para humanizar as relações econômicas, assim como o mundo materializado dos dias atuais. O dicionário Aurélio (2010) define moral como sendo “de acordo com os bons costumes.
Que é próprio para favorecer os bons costumes. Relativo ao espírito; intelectual (por oposição ao físico, ao material)”. E no que tange o significado de moral Leonardo Boff (2014) traz uma série de exemplos e afirmações para conceituar esse termo.
Então, o que é agir conforme a moral? O que é o agir imoralmente? Ou o que é uma atitude amoral? Como podemos diferenciá-los? De forma bem resumida pode-se dizer que:
* Moral – é agir conforme os valores da sua organização ou sociedade sem prejudicar os outros.
* Imoral – é uma atitude que vai contra as normas e valores de uma organização ou sociedade e que prejudica os outros.
* Amoral – é quando uma atitude não influi, nem positiva e nem negativamente, ou seja, é uma ação neutra.
Pode-se concluir que uma atitude moral é uma ação positiva, uma atitude imoral é uma ação negativa e uma atitude amoral é uma ação neutra. Dessa forma, no âmbito da moral, decidir como agir é uma questão de prática, enquanto que no âmbito da ética, é refletir sobre as ações e as implicações sobre a felicidade humana.
A forma concreta como a ética é vivida depende de cada cultura, que é sempre diferente da outra. Um indígena, um chinês, um africano vive de um jeito o amor, o cuidado, a solidariedade e o perdão e a esse jeito diferente chamamos de moral. Existe só uma ética e ela é para todos. Já a Moral existe muitas e é consoante com as maneiras diferentes de como os seres humanos organizam a vida. Exemplificando praticamente: o importante é ter uma casa (ética); o estilo e a maneira de construi-la pode variar (moral); pode ser simples, rústica, moderna, colonial, gótica, mas deve ser casa habitável. É assim é com a ética e com a moral.
Vale destacar que a moral não se reduz apenas ao seu aspecto social, pois na medida em que desenvolvemos nossa reflexão crítica, passamos a questionar os valores herdados, para então assim decidir se aceitamos ou não as normas. A ética se move historicamente, se amplia e se adensa. A ética tanto quanto a moral não são um conjunto de verdades fixas e imutáveis.
E para entender como isso acontece na história da humanidade, basta lembrar que um dia a escravidão foi considerada “natural”. Por isso, pode-se considerar que entre a Moral e a Ética há uma tensão permanente, já que a ação moral busca uma compreensão e uma justificação crítica universal e, a Ética exerce uma permanente vigilância crítica sobre a Moral para reforçá-la ou transformá-la.
A palavra moral vem de “mores”, origina-se do termo latino plural que significa costumes, hábitos, fazendo com que se equivalha às atitudes e às normas que se estabeleceram como hábito de boa convivência e de bom comportamento. Sendo assim a afirma-se que moral é um conjunto de atitudes regidas conforme regras, e é por isso que considera-se moralmente correta a pessoa que mantém, costumeiramente, uma determinada postura frente as coisas e as pessoas, adotando um estilo de comportamento.
Contudo, também considerasse moralmente correta a atitude de quem devolve uma carteira de documentos e dinheiro que encontrou na calçada, mesmo que tal pessoa possa normalmente não se comportar tão corretamente. Desta forma, pode observar que o bem e o mal são reconhecidos assim, devido ao cumprimento ou descumprimento dessas regras, desses costumes. E desta maneira também observa-se que se não houvesse regras ou hábitos estabelecidos não haveria bem e mal. Outro modo de dar conta da existência da moral consiste em assinalar o que se vive em situações concretas do cotidiano, podendo ser no âmbito individual, de grupos humanos ou mesmo nacionais.
Alguns exemplos revelam aquilo que chamamos “senso moral”, é o que acontece quando ficarmos sensibilizados com o fato de haver tanta gente morrendo de fome, enquanto há um desperdício enorme de alimentos; ouvirmos todos os dias notícias de mortes pela violência no trânsito, de chacinas de pessoas ou até de animais, de sequestros, de estupros, de torturas e ficarmos indignados com isso. Ao mesmo tempo convivemos e confrontamos com situações difíceis de ser resolvidas no campo prático da moral, considerada uma dualidade humana, como por exemplo: permitir ou não o aborto, quando a gestação se deve a um estupro; aceitar ou não uma tarefa que possibilita obter recursos financeiros para o sustento da família, mesmo quando se sabe que o cumprimento da tarefa não condiz com a legislação em vigor; desligar ou não os aparelhos que mantêm viva uma pessoa, quando tudo indica que já não existe possibilidade de uma vida digna ou mesmo razoável sem o uso dos aparelhos; ser a favor da pena de morte para crimes muito graves. Essas situações existem e põem em questão ou a prova nossa consciência moral.
Relação ética e moral
Frequentemente se confunde ética com moral e isso tem uma razão de ser. É que a palavra “moral” vem do latim “mos” (singular) e “mores” (plural), que significa “costumes” e a palavra “ética” vem do grego e possui o mesmo significado, ou seja, “costumes” e por isso, utiliza-se a expressão “bons costumes” como sinônimo de moral ou moralidade.A Moral está mais relacionada às crenças estruturadas em valores acumulados desde a mais tenra infância e transmitidos pelos grupos sociais de interação afetiva, tais como a família e a Igreja.
Está diretamente relacionada à consciência de que é o “lócus” privilegiado dos valores, enquanto a Ética é a exteriorização da conduta humana em sociedade. Sendo cultural, a Moral é o conjunto de regras que são impostas às pessoas pelo grupo que pertencem, numa ação coletiva, que tendem a agir de determinada maneira, que são consolidadas através de práticas e costumes observadas no geral, muitas vezes devido ao receio de uma reprovação social (a pressão é externa).
Assim, partindo deste pressuposto, considera-se que todo ser humano é moral ao cumprir as normas de conduta oriundas de um conjunto de crenças inquestionáveis existentes dentro de uma cultura. A Ética é perene, porque suas reflexões são num curso contínuo e eterno, o que reafirma que sempre haverá reflexões sobre esse tema. Já a Moral é temporal, porque o tempo, os costumes e valores de uma sociedade se modificam para atender e se adequar a uma época. A Ética é universal, porque suas reflexões independem da cultura, da sociedade ou mesmo do tempo histórico;
cabe em qualquer lugar e em qualquer tempo, mas sempre refere-se ao comportamento humano. A Moral é cultural, porque em cada sociedade e em cada lugar, os costumes e valores serão diferentes. A Ética é regra, pois não existe mutabilidade nas suas reflexões, mas suas reflexões podem ser realizadas perante as mudanças.
A Moral é conduta de regra, porque é preciso relacionar os valores para que assim possa instituir a conduta. A Ética é teoria, porque está situada no campo das reflexões, enquanto a Moral se refere às práticas do comportamento humano, dos costumes, dos hábitos e dos valores. Do ponto de vista etimológico a Ética e a Moral significam a mesma coisa, contudo, há um limiar tênue entre uma e outra, podendo ser observado na medida que aprofunda-se nos temas.
Para Vazquez (2003, p.21) “a ética é teoria,
investigação ou explicação de um tipo de experiência humana ou forma de comportamento dos homens, ou da moral, considerado, porém, na sua totalidade,
diversidade e variedade. A moral é o estudo dos costumes de uma determinada
sociedade numa determinada época e lugar.”
Referências
ARCHER, Luís (coord.). Bioética. São Paulo: Editorial Verbo, 1996. ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 2ª ed.. Lisboa: Quetzal Editores, 2006. BOFF, Leonardo. Ética e Moral: a busca dos fundamentos. 9ª ed., São Paulo: Editora Vozes, 2014. BORGES, Maria de Lurdes et al. Ética. Rio de Janeiro, DP & A: Editora Ltda, 2003. CORTINA, A.; MARTINEZ, E.. Ética. São Paulo, Edições Loyola, 2005. DURANT, W. (S/D). História da Filosofia. Lisboa: Livros do Brasil, p. 282. DURANT, W. (S/D). História da Filosofia. Lisboa: Livros do Brasil, p. 274 – 275. FERNANDES, Vladimir. Filosofia, comunicação e ética. São Paulo: Editora Sol, 2011, p. 92. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o dicionário da língua portuguesa. 8. ed. Curitiba: Positivo, 2010. 895 p. ISBN 978-85-385-4240-7. Fundamentos da Formação Profissional. Instituto Formação Cursos Técnico Profissionalizantes. 1/2014.014. Disponível em:<< http://www.ifcursos.com.br/sistema/admin/arquivos/15-03-00-apostilasegurancadotrabalho.pdf>>. Acesso em Acesso em 01 de março de 2020. GAMBRA, R. História da Filosofia. Lisboa: Planeta Editora, 1993, p. 186. KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes e Outros Escritos. São Paulo: Martin Claret: 2004. KANT, Immanuel. Crítica da Razão Prática. Trad. Valério Rohden. São Paulo: Martins Fontes, 2008. 43 MACLNTYRE, A. (1998). A Short History of Ethics. Notre Dame: University of Notre Dame Press. Editora University of Notre Dame Press, 1998, p.197. Rodrigo da Paixão: PACHECO; Taynara Ribeiro :ABREU; Aline Pereira: DIAS.. Ética protestante e o espírito do capitalismo. JUS.COM.BR, 03/2019. Disponível em: <<.https://jus.com.br/artigos/72762/etica-protestante-e-o-espirito-do-capitalismo>>. Acesso em 01 de março de 2020. Rosiane Follador Rocha: EGG. História da ética. ESDE BRASIL S.A. Disponível em:
Nenhum comentário:
Postar um comentário